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O Senhor dos Anéis | Os desafios de adaptar a obra de Tolkien para a TV

Amazon confirmou vários projetos que mostrarão os eventos antes de Frodo e cia.


Remakes são comuns em Hollywood. Isso acontece o tempo todo com super-heróis, grandes franquias e adaptações de livros, que eventualmente voltam às telas de formas diferentes. Logo, não é tão surpreendente o anúncio da Amazon de investir em séries do universo de Tolkien, mostrando os acontecimentos antes de A Sociedade do Anel.
Mas existe - ou existia - algo diferente em O Senhor dos AnéisChristopher Tolkien, terceiro filho do autor. Christopher editou e publicou vários livros do universo da Terra-média, sempre utilizando como base as anotações e informações deixadas pelo pai, que morreu em 1973. Mas ele sempre teve uma postura considerada “protecionista” em relação ao legado deixado pelo autor. Muitas vezes negou adaptações e produtos relacionados com O Senhor dos Anéis e é abertamente crítico às duas trilogias comandadas por Peter Jackson
Inclusive, os filmes só foram realizados por conta do produtor Saul Zaentz. Em 1969, Tolkienvendeu os direitos de adaptações cinematográficas de O Hobbit e O Senhor dos Anéis para a United Artists. Posteriormente, Zaentz comprou esses direitos e os cedeu à New Line em 1997. O filho de Tolkien não poderia fazer nada para impedir.
Porém, em agosto deste ano, Christopher deixou o comando do patrimônio do pai. A família Tolkien ainda está presente nos negócios através dos netos e de Priscilla Tolkien, outra filha do autor, mas todos eles são mais abertos para adaptações. O caminho da Amazon está livre e as possibilidades são imensas, mas tudo isso também chega com grandes desafios.
Alinhamento de planetas
A trilogia de O Senhor dos Anéis foi feita de uma forma que foge dos padrões de Hollywood até hoje. A produção começou em 1999, na Nova Zelândia, e os três filmes foram rodados de uma vez. Essa característica foi importante para o resultado nas telas, que mostrou consistência, um grande entrosamento de elenco e, de um modo geral, transmitiu aos fãs a magia que J.R.R. Tolkien colocou em mais de mil páginas de livro.

Peter Jackson e o elenco de O Senhor dos Anéis


Claro que ela não é a única empresa de efeitos do mundo, e existem muitos especialistas em armaduras para filmes, mas havia uma paixão a mais em levar o mundo de Tolkien para as telas pela primeira vez. Se a Weta estiver envolvida novamente, é um alívio para os fãs.
Por enquanto, a Amazon parece disposta a desembolsar o que for necessário. Segundo o Hollywood Reporter, o projeto inteiro de cinco temporadas pode custar US$ 1 bilhão, valor inédito para a TV. Para comparação, a sexta temporada de Game of Thrones, que teve o episódio da Batalha dos Bastardos, custou US$ 100 milhões ao todo.
Em relação às histórias, há muito material que pode ser aproveitado - saiba mais. Como foi dito que as produções serão situadas antes dos eventos de A Sociedade do Anel, há O Silmarillion, que conta as origens da Terra-média, dos anéis de poder e a ascensão de Melkor, o senhor da escuridão antes de Sauron.
Há também a história de amor de Beren e Lúthien, o mortal e a elfa que se apaixonaram e viveram as mesmas dificuldades de Arwen e Aragorn. Existem ainda várias histórias sobre o passado dos elfos, homens, anões e hobbits da Terra-média. Todas as possibilidades pedem produções grandiosas.
Sobre a volta da equipe dos filmes, é improvável que isso aconteça e também não deve ser um medidor de qualidade. Sean Astin (Sam) e John Rhys-Davies (Gimli) já indicaram que não pensam em reprisar seus papéis na Terra-média. Peter Jackson tem em mãos atualmente um novo projeto, a produção de Mortal Engines.
J.R.R. Tolkien
Porém, de todas as coisas que tornaram os filmes de O Senhor dos Anéis sucesso, a maior delas é o amor pela obra de Tolkien. Jackson e Weta voltaram para a trilogia de O Hobbit e, apesar de seus pontos positivos, ela passou longe do grande sucesso dos primeiros longas. Havia interesse demais do estúdio em aumentar a história, fazer mais filmes e conseguir reviver algo sem ter suas próprias qualidades. A alma da Terra-média ficou em segundo plano.
John Ronald Reuel Tolkien participou da Primeira Guerra Mundial e vivenciou a Segunda ao ver seus filhos lutarem nela. Ele presenciou os maiores horrores causados pelo homem, mas conseguiu tirar disso um mundo incrível de fantasia, onde amizade, honra, amor e lealdade são mais importantes do que poder. Para a Amazon, que tem agora a oportunidade de mostrar tudo isso para um público novo e vasto, resta a responsabilidade de honrar tudo o que esse homem representa para a cultura pop e para o mundo.

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