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Como Michael Jackson morreu? Revisitando a morte do rei do pop em 2009

Michael Jackson
Michael Jackson.

Crédito: Dave M. Benett/Getty 

Michael Jackson morreu em 2009, mas os últimos anos de vida do Rei do Pop não vão aparecer em Michael, a nova cinebiografia que foca só na ascensão do cantor e nos anos de domínio nas paradas com hits como "Thriller" e "Beat It". O filme também deixa de lado as várias acusações de abuso sexual infantil que Jackson enfrentou nos anos 90 e 2000.

"Michael é uma pessoa complicada, as pessoas têm opiniões complicadas, e tá tudo bem", disse o roteirista John Logan em entrevista recente ao Hollywood Reporter. "Escolhemos contar a história inspiradora do seu triunfo no filme, e foi isso que fizemos." Essa escolha vai agradar os fãs, mas outros podem achar que ficou incompleto — afinal, a morte de Jackson foi um evento cultural enorme por si só.

Na época, o site Entertainment Weekly escreveu que, em morte, Michael Jackson rapidamente se provou tão colossal quanto em vida: sites travaram e caíram com o volume de acessos, emissoras de TV cancelaram a grade para exibir retrospectivas, e as vendas do seu catálogo dispararam, com as execuções das suas músicas no rádio aumentando impressionantes 1.735%.

Abaixo, a gente revisita a morte de Michael Jackson, o médico que foi responsabilizado por ela e a reação dos fãs ao redor do mundo.

 

Como Michael Jackson morreu?

Michael Jackson at the Beverly Hilton Hotel on Nov. 8, 2007, in Beverly Hills
Michael Jackson at the Beverly Hilton Hotel on Nov. 8, 2007, in Beverly Hills.

Crédito: Dr. Billy Ingram/WireImage

Em 24 de junho de 2009, Michael Jackson foi ao Staples Center, em Los Angeles, para ensaiar para a turnê de retorno This Is It. O ensaio durou até meia-noite, e o cantor chegou à sua mansão no bairro de Holmby Hills cerca de 30 minutos depois, segundo seu médico pessoal, o Dr. Conrad Murray.

Jackson estava sofrendo de insônia, e Murray foi chamado para administrar uma série de medicamentos para ajudá-lo a dormir — entre eles Valium, lorazepam e midazolam. Só que nenhum deles funcionou.

Murray contou que, depois de várias horas sem conseguir dormir, Jackson começou a pedir propofol, um anestésico cirúrgico potente que ele já usava para dormir havia algum tempo. Murray estava relutante em dar, pois estava tentando tirar Jackson do sedativo aos poucos.

Por volta das 10h40 da manhã, Murray administrou 25 miligramas de propofol diluído com lidocaína. Jackson finalmente conseguiu dormir.

Mas nunca mais acordou. Murray disse que saiu do quarto por cerca de dois minutos para ir ao banheiro e, quando voltou, encontrou o cantor sem respirar. Tanto Murray quanto os paramédicos tentaram reanimar Jackson com massagem cardíaca, sem sucesso.

Qual foi a causa oficial da morte?

Em agosto de 2009, o legista de Los Angeles declarou que a causa oficial da morte foi intoxicação aguda de propofol e lorazepam, o que levou Jackson a sofrer uma parada cardíaca. A morte foi classificada como homicídio, e as autoridades abriram uma investigação de homicídio culposo contra Murray.

Quais foram as últimas palavras de Michael Jackson? 

Michael Jackson at the Peterson Automotive museum on May 23, 2008, in Los Angeles
Michael Jackson at the Peterson Automotive museum on May 23, 2008, in Los Angeles.

Crédito: Tiffany Rose/WireImage

Em depoimento aos investigadores, Murray relatou que Jackson pediu por "leite" — o apelido carinhoso que o cantor usava para o propofol.

"Por favor, me dê um pouco de leite para que eu possa dormir, porque eu sei que isso é tudo que realmente funciona para mim", teria dito Jackson. Essas foram algumas das suas últimas palavras.

Murray afirmou que vinha administrando 50 miligramas de propofol por noite para o cantor. Na noite da morte, porém, deu apenas 25 miligramas, já que outros sedativos já tinham sido usados. Mesmo assim, a dose se mostrou fatal.

Quem foi acusado pela morte?

Conrad Murray arrives for his arraignment at the Airport Courthouse on Feb. 8, 2010, in Los Angeles
Conrad Murray arrives for his arraignment at the Airport Courthouse on Feb. 8, 2010, in Los Angeles.

Frederick M. Brown/Getty 

Murray foi indiciado por homicídio culposo em fevereiro de 2010, cerca de oito meses após a morte de Jackson. Ele se declarou inocente, e o julgamento começou em setembro do ano seguinte.

A promotoria apresentou Murray como ganancioso e negligente — ele recebia 150 mil dólares por mês para cuidar do cantor durante os preparativos para o This Is It. O promotor alegou que, por esse valor, Murray havia violado o juramento de Hipócrates com um comportamento "bizarro" que configurava "negligência criminal extrema".

Já a defesa argumentou que Jackson teria tomado mais propofol e lorazepam por conta própria enquanto Murray estava de costas. Também levantou que os cuidados com o cantor eram complicados por injeções regulares de Demerol de outro médico, além da pressão enorme de realizar 50 shows em uma turnê lotada. Em resumo, a defesa tentou atribuir ao próprio Jackson maior responsabilidade pela sua morte.

Murray chegou a reforçar esse argumento em uma entrevista ao Today em 2011: "Nada que eu dei a Michael deveria ter encerrado a vida dele", disse.

O júri discordou. Após 10 horas de deliberação, Murray foi condenado por homicídio culposo e recebeu a pena máxima de quatro anos de prisão — mas foi solto após um ano e 11 meses. Suas licenças médicas no Texas, Califórnia e Nevada foram suspensas. Após a soltura, Murray se mudou para Trinidad e Tobago, onde se registrou para exercer a medicina e, em 2023, fundou o DCM Medical Institute.

 

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