"Michael" Arrasa nas Bilheterias: 5 Razões pelas quais as CrÃticas Negativas Não Impediram o Sucesso da cinebiografia do Rei do Pop
Isso sim é um thriller de bilheteria.
| Crédito: ©Lions Gate/Courtesy Everett Collection |
"Michael", o filme que conta a origem de Michael Jackson, estreou com força total: foram US$ 97 milhões só nos EUA e US$ 217 milhões no mundo todo no primeiro fim de semana. O filme, classificado para maiores de 13 anos, superou todas as expectativas e se tornou a maior estreia da história das cinebiografias musicais, desbancando facilmente o recorde que "Straight Outta Compton" tinha desde 2015 (US$ 60 milhões na abertura). É um resultado de blockbuster para a Lionsgate — o maior sucesso do estúdio desde "Jogos Vorazes: A Esperança – Parte 2", em 2015. Com esse resultado, já se fala que pelo menos mais um filme sobre a vida de Jackson deve ser produzido.
"O alcance de Michael Jackson na cultura popular é inegável", afirmou Adam Fogelson, presidente de filmes da Lionsgate. "E as pessoas estão se divertindo muito nos cinemas."
Dirigido por Antoine Fuqua, o filme tem Jaafar Jackson (sobrinho do cantor, em sua estreia como ator) no papel principal e acompanha a trajetória do artista desde o Jackson 5 até se tornar o Rei do Pop. Nem as crÃticas negativas nem os problemas caros nos bastidores conseguiram frear a empolgação do público — e os analistas de bilheteria acreditam que "Michael" vai continuar atraindo multidões durante todo o verão americano. Confira cinco pontos que explicam essa estreia gigante:
1. Nem crÃtica ruim para o público
Os crÃticos reclamaram que o filme pinta um retrato "sanitizado" de Jackson, já que a história termina antes das acusações de abuso infantil. (Jackson, que morreu em 2009, sempre negou todas as alegações.) Mas o público não ligou pra isso. A galera deu nota "A-" no CinemaScore — uma pontuação que indica boa longevidade nas bilheterias.
Com um orçamento de quase US$ 200 milhões (dividido entre a Lionsgate, a distribuidora internacional Universal e o espólio de Jackson), esse não era um projeto que podia se dar ao luxo de dividir opiniões. Originalmente, o roteiro incluÃa cenas dramatizando um processo de abuso sexual de 1993, mas essas sequências precisaram ser cortadas depois que os produtores descobriram uma cláusula no acordo com o acusador que proibia qualquer menção a ele em filmes ou TV. Reescrever tudo isso custou dezenas de milhões a mais — mas o resultado final foi um filme acessÃvel para fãs de música de todas as idades.
"As crÃticas foram fracas", observou o analista David A. Gross, "mas o filme está funcionando como uma celebração nostálgica e emocionante. O público está de pé, cantando e dançando."
2. Os hits fizeram o trabalho
O grande público nem sempre quer um filme que exponha todos os lados sombrios dos seus Ãdolos musicais. Às vezes, a galera só quer se sentir num show — do conforto das poltronas de cinema. Foi exatamente esse o apelo de "Bohemian Rhapsody" (2018), que arrecadou impressionantes US$ 911 milhões no mundo todo.
Desde aquele sucesso, vieram biopics de Elvis Presley, Amy Winehouse, Bob Dylan, Bob Marley e Bruce Springsteen. Nem todos foram recebidos com o mesmo entusiasmo — o filme do Springsteen, por exemplo, foi criticado por focar num álbum acústico e menos comercial em vez de explorar os maiores sucessos do artista.
"Michael" acertou a mão ao apostar pesado em recriações de performances icônicas de "Billie Jean", "Thriller" e "Beat It". O IMAX sozinho respondeu por US$ 13,8 milhões — cerca de 14% das vendas na América do Norte — tornando-se a maior estreia de um biopic musical no formato.
"As salas de cinema são perfeitas para filmes com foco em música, com sistemas de som incrÃveis que simplesmente não têm como ser replicados em casa", disse o analista Paul Dergarabedian, da Comscore.
3. Os fãs já separaram a arte do artista faz tempo
É um debate eterno: dá pra separar a obra do artista? Apesar das acusações de abuso infantil que perseguiram Jackson por décadas, seus fãs já demonstraram várias vezes que sim. O espólio do cantor — um dos produtores do filme — já tinha sido encorajado por outros projetos bem-sucedidos, como o musical da Broadway "MJ" (um dos poucos ainda em cartaz desde a pandemia), o show do Cirque du Soleil "One" e o documentário de 2009 "This Is It". Nenhum deles tratou das acusações.
Se um segundo filme for produzido (e tudo indica que sim — o próprio filme termina com a frase "A história continua"), o público vai precisar encarar perguntas mais difÃceis: as pessoas vão lotar as salas para assistir a um capÃtulo da vida de Jackson dominado por controvérsia e escândalo?
4. A boa fase da Lionsgate
Que virada! No final de 2024, a Lionsgate estava numa seca braba, depois de uma série de fracassos como "Borderlands", o reboot de "O Corvo" e o spin-off de "Wonder". Mas desde o outono passado (no hemisfério norte), o estúdio entrou numa sequência invejável, com "The Long Walk" (US$ 62 milhões), "Now You See Me: Now You Don't" (US$ 243 milhões) e "The Housemaid" (US$ 400 milhões).
Para Fogelson, esses filmes — e agora "Michael" — têm um fio condutor: "a alegria da experiência coletiva".
"O fato de termos tido sucesso em tipos tão diferentes de filmes é muito gratificante", disse ele. "Está ficando cada vez mais claro que, se você consegue criar a promessa de algo que é melhor vivido em grupo do que sozinho, você aumenta muito as chances de sucesso."
5. O momento das bilheterias importa
Os exibidores sempre reclamam que precisam de filmes novos o ano inteiro — não só no verão e no Natal — para manter o público frequentando as salas. Nessa primavera americana, não faltou movimento: "Scream 7", "The Super Mario Galaxy Movie" e "Project Hail Mary" já aqueceram as poltronas. Agora a bola está com os cinemas para manter o ritmo enquanto o público aguarda "O Diabo Veste Prada 2" na semana que vem — seguido de "Mortal Kombat 2" e do spin-off de "Star Wars", "The Mandalorian and Grogu" — para dar o pontapé inicial no verão americano com tudo.
Que entre Miranda Priestly.






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