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Fusão Paramount-Warner Bros. Discovery: agência de rating já avisa que a nota de crédito vai cair ainda mais

A S&P Global explica por que a gigante do entretenimento que está sendo formada enfrenta incertezas sérias nos próximos anos

Getty Images

  

Quem acompanha o mercado de entretenimento sabe que a fusão entre Paramount Skydance e Warner Bros. Discovery é um dos negócios mais aguardados — e mais arriscados — do setor. E agora a agência de classificação de risco S&P Global deixou bem claro o que pensa sobre isso.

A situação atual

A Paramount já está com nota de crédito no chamado "junk status" — ou seja, seus títulos de dívida são considerados especulativos, não investimento seguro. Atualmente a nota é "BB+". Quando a fusão com a WBD for concluída, a S&P prometeu rebaixar mais um nível, para "BB".

O que significa isso na prática? Segundo a própria agência, uma empresa com nota "BB" enfrenta incertezas significativas e pode ser mais afetada por crises econômicas. Não está na beira do abismo, mas os investidores precisam ficar de olho.

O tamanho da dívida

O problema mais concreto é a montanha de dívida que a fusão vai criar. A Warner Bros. Discovery já carrega cerca de US$ 30 bilhões em dívida líquida. Somado ao que a Paramount está tomando emprestado para bancar a própria fusão, a empresa combinada vai ficar com uma dívida total que, mesmo após uma reestruturação em abril que reduziu os compromissos de US$ 54 bilhões para US$ 49 bilhões, ainda é enorme.

A S&P projeta que a relação entre dívida e lucro operacional da empresa ficará em 7,6 vezes em 2026 — e só deve cair abaixo de 5 vezes em 2029. Em termos simples: vai demorar anos pra empresa respirar com mais conforto financeiramente.

Os desafios do setor

Além dos números, a agência foi bem direta sobre o ambiente em que essa empresa gigante vai operar. O consumo de mídia está tão fragmentado que o impacto cultural das grandes empresas de entretenimento enfraqueceu. E a inteligência artificial está acelerando a redução da diferença de qualidade entre conteúdo profissional e conteúdo gerado por usuários comuns.

A S&P também lembrou que a história do setor está cheia de fusões grandes que não entregaram o que prometiam — ou demoraram muito mais do que o esperado para gerar os benefícios esperados.

A empresa combinada vai reunir operações de seis empresas diferentes: Time Warner, Discovery Communications, Scripps Networks, CBS, Viacom e Skydance. Muitas dessas operações ainda não foram totalmente integradas entre si.

O que vem por aí

A expectativa é que a fusão gere mais de US$ 6 bilhões em economia de custos — número que a S&P reconhece como plausível, mas que só vai contabilizar quando de fato acontecer. Nos próximos dois anos, a empresa deve registrar custos altos justamente para implementar essas economias.

Demissões estão previstas, especialmente na área de TV a cabo e na estrutura corporativa. A empresa também deve consolidar seus serviços de streaming numa plataforma única e racionalizar seus imóveis.

A fusão tem valor de empresa estimado em quase US$ 111 bilhões e previsão de fechamento em setembro de 2026 — mas ainda depende de aprovação regulatória na Europa, e procuradores-gerais de alguns estados americanos, incluindo a Califórnia, podem contestar o negócio por questões antitruste.


Em resumo: a fusão Paramount-WBD vai criar um gigante do entretenimento, mas um gigante bastante endividado, operando num mercado em transformação acelerada. Os próximos dois ou três anos vão ser decisivos para saber se a aposta vai valer.

 

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