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Ronda Rousey destrĂ³i Gina Carano em 17 segundos e Jake Paul leva vaias na estreia do MMA na Netflix

A luta mais aguardada da noite durou menos que um story do Instagram — e o drama todo foi mais interessante do que o combate em si

Getty Images for Netflix

 

Tarde do Ăºltimo sĂ¡bado, duas das lutadoras mais influentes da histĂ³ria do MMA finalmente se encontraram no octĂ³gono. E o resultado foi... bem rĂ¡pido.

O contexto da luta

Ronda Rousey (39 anos, cartel de 12-2) nĂ£o lutava desde 2016. Gina Carano (44 anos, cartel de 7-1) nĂ£o subia ao octĂ³gono desde 2009 — e afirmou ter perdido mais de 45 quilos para bater o peso de 65kg da categoria. O evento foi transmitido ao vivo pela Netflix a partir do Intuit Dome, em Los Angeles, com promoĂ§Ă£o de Jake Paul e seu Most Valuable Promotions.

AlĂ©m de ser a primeira vez que as duas se enfrentavam, era tambĂ©m a estreia do MMA na Netflix. E as duas tĂªm em comum nĂ£o sĂ³ a histĂ³ria no MMA, mas tambĂ©m passagens nos filmes de Velozes e Furiosos — Carano em F&F 6 e Rousey em Velozes e Furiosos 7.

O histĂ³rico polĂªmico das duas

Antes de falar da luta, vale entender o peso das polĂªmicas que cada uma carrega.

Rousey, em 2013, compartilhou um vĂ­deo de teorias conspiratĂ³rias sugerindo que as 26 vĂ­timas do massacre na escola primĂ¡ria de Sandy Hook eram atores pagos. Ela deletou o post apĂ³s uma onda de crĂ­ticas, e sĂ³ pediu desculpas formalmente em 2024, dizendo que se arrependeu todos os dias desde entĂ£o.

Carano, em fevereiro de 2021, postou uma imagem do massacre de judeus nos pogroms de Lviv em 1941 comparando a situaĂ§Ă£o dos conservadores americanos Ă  perseguiĂ§Ă£o sofrida pelos judeus durante o Holocausto. A Disney a demitiu de The Mandalorian em seguida. Carano entrou com processo — com apoio financeiro de Elon Musk — e o caso foi encerrado com um acordo.

 

Politicamente, as duas tambĂ©m estĂ£o em lados opostos: Carano Ă© declaradamente MAGA, chegou a discursar num comĂ­cio de Trump em 2024. Rousey, por sua vez, jĂ¡ disse publicamente que nĂ£o votaria nele e chegou a apoiar Bernie Sanders para presidente.

O evento em si

A noite começou com um trailer narrado por Uma Thurman, algumas lutas preliminares pouco competitivas — com exceĂ§Ă£o do sempre guerreiro e ensanguentado Nate Diaz — e Jake Paul levando uma generosa chuva de vaias do prĂ³prio pĂºblico no seu evento. AlĂ©m disso, o grĂ¡fico na transmissĂ£o errou a idade de Rousey.

O problema crĂ´nico dessas lutas-show da Netflix ficou evidente mais uma vez: a luta principal demorou uma eternidade para começar, por conta de muitas preliminares, intervalos comerciais e a estratĂ©gia da plataforma de esticar ao mĂ¡ximo o tempo de transmissĂ£o — jĂ¡ que a Netflix mede audiĂªncia por nĂºmero de visualizações multiplicado pelo tempo assistido.

Carano entrou ao som de "Mr. Brightside", do The Killers — banda de sua cidade natal, Las Vegas. Rousey escolheu "Bad Reputation", de Joan Jett. A luta começou oficialmente Ă  0h05 no horĂ¡rio de BrasĂ­lia.

A luta em si

Rousey imediatamente derrubou Carano e a finalizou com uma chave de braço. Tempo total: 17 segundos.

Horas de expectativa, polĂªmica, drama e logĂ­stica para uma luta que durou menos que a maioria dos comerciais exibidos antes dela.

Pelo menos o momento apĂ³s o combate foi mais interessante: as duas se abraçaram com emoĂ§Ă£o, e Rousey chamou Carano de sua "heroĂ­na" por ter aberto o caminho para as mulheres no MMA — um gesto bonito de sportsmanship. Ela tambĂ©m aproveitou a entrevista pĂ³s-luta para anunciar que essa foi sua Ăºltima luta e que estava animada para ter "mais filhos". Carano, por sua vez, disse que sĂ³ voltar ao ringue jĂ¡ foi uma vitĂ³ria pra ela.


A luta serviu como espécie de aquecimento para o UFC Freedom 250, marcado para 14 de junho no gramado sul da Casa Branca. O que diz bastante sobre os tempos em que vivemos.

 

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