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DC Comics enfrenta boicote por falta de super-heróis negros em títulos principais

A DC Comics está sendo alvo de um movimento de boicote organizado por leitores que criticam a escassez de títulos com super-heróis negros na continuidade principal da editora.

  

 

O movimento se chama #DCBlackout e é liderado por James Portis III, criador de conteúdo online especializado em quadrinhos e fundador da Black Comic Alliance. É a segunda fase do projeto #DCSoWhite, que ele vem impulsionando há meses diante da ausência de séries originais com protagonistas negros na linha principal da DC.

Enquanto a editora não fizer mudanças concretas, Portis pede que fãs deixem de comprar qualquer título ou produto relacionado à DC — e que criadores que apoiam o movimento também evitem trabalhar com a empresa durante o boicote.


O argumento do movimento

Um dos apoiadores, Ernie Carothers do podcast Blerd Without Fear!, lembra que "a DC escolheu dar uma série a um oficial confederado antes de dar a um personagem negro" — uma referência à estreia de Jonah Hex em 1972, cinco anos antes do lançamento de Black Lightning, o primeiro título da DC com protagonista negro. Ele ainda completa: "Pessoas negras só têm valor pra DC Comics em fevereiro." (Uma referência ao Mês da História Negra nos EUA.)

O comunicado oficial da Black Comic Alliance deixa claro que a campanha não é hostil aos fãs, criadores ou ao Universo DC em si. O objetivo é expressar a frustração com o que o grupo descreve como um padrão repetido de subinvestimento em personagens negros, apoio editorial inconsistente e marginalização de vozes criativas negras.


E a diversidade hoje?

John Stewart creates an army

 

A DC tem alguns dos personagens negros mais icônicos dos quadrinhos — mas pouquíssimos chegaram a ter suas próprias séries. E muitos existem apenas em universos alternativos, fora da continuidade central.

É aí que está o nó: o movimento não aceita títulos do Universo Absoluto como exemplos válidos. Absolute Green Lantern, por exemplo, que coloca Sojourner "Jo" Mullein como protagonista, acontece numa realidade alternativa — e isso é visto pelo movimento como um insulto velado. Portis chegou a dizer que parece uma mensagem de "vai brincar lá. Lê esses gibis porque é como se dissessem: você não é boa o suficiente pra linha principal."

O site oficial do movimento afirma que o último título ongoing da DC na continuidade principal com protagonista negro foi I Am Batman, escrito por John Ridley — sobre Jace Fox, filho de Lucius Fox, assumindo o manto do Batman. A série encerrou em fevereiro de 2023.

Vale notar, porém, que o movimento parece ignorar a série atual Green Lantern Corps (lançada em 2025), que coloca John Stewart e Jo Mullein em destaque e é escrita pelo autor negro premiado Morgan Hampton — o mesmo de Cyborg, desde 2023.


É um debate que levanta questões importantes sobre representatividade, não só nos quadrinhos, mas na cultura pop como um todo. A DC ainda não se pronunciou oficialmente sobre o boicote.


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