SaÃda de R$ 3 bilhões: Zaslav vai embora rico da Warner Bros. — mas preferia ficar
| Crédito: Nicholas Ortega for Variety |
Galera, o mundo do entretenimento tá em ebulição. A Warner Bros. Discovery (dona da Warner, HBO, CNN, TNT e muito mais) tá prestes a ser vendida pra Paramount Skydance num negócio de 110 bilhões de dólares. E no centro dessa história toda tá um nome: David Zaslav, o CEO que vai sair com uma bolada de pelo menos 550 milhões de dólares no bolso — mas que, segundo pessoas próximas a ele, preferia continuar no cargo.
A polêmica toda
O problema é o seguinte: enquanto Zaslav vai embora com meio bilhão, centenas (ou talvez milhares) de funcionários da Warner e da HBO devem perder o emprego quando a Paramount começar a integrar as operações. Pra muita gente em Hollywood, isso é injusto demais.
Um chefe de estúdio rival não poupou nas palavras:
"Ele é como um funcionário de funerária que arrumou o cadáver, deixou bonito o suficiente pro velório — bonito o suficiente pra vender — e vai embora com meio bilhão. In-a-cre-di-tá-vel."
E olha que os funcionários da Warner e da HBO já sofreram três megafusões em oito anos: a venda pra AT&T em 2018, a união com a Discovery em 2022, e agora essa com a Paramount Skydance. Cada uma dessas operações veio carregada de dÃvidas pesadas — e a nova não é diferente. A Paramount vai sair dessa negociação com cerca de 79 bilhões de dólares em dÃvidas.
| Crédito: Max-O-Matic for Variety |
Mas ele queria ficar
Por mais surreal que pareça, Zaslav não queria vender. Fontes próximas ao CEO de 66 anos dizem que ele mal conseguia esconder a frustração de ter sido "encurralado" na venda pela pressão do chefe da Paramount Skydance, David Ellison.
O investidor David Geffen — que vai lucrar mais de 700 milhões de dólares com a venda das suas ações da WBD — resumiu bem:
"Se você perguntasse a ele se preferia o emprego ou o dinheiro, não teria dúvida: ele preferia o emprego. Eu acredito nisso de verdade."
Geffen foi um dos que apostou em Zaslav lá em 2022, comprando 30 milhões de ações a cerca de US$ 7,40 cada. Agora, com a Paramount pagando US$ 31 por ação, o investimento dele mais que quadruplicou.
| David Zaslav, ao centro, mostrando as instalações da Warner Bros. para Ted Sarandos e Greg Peters, da Netflix, em dezembro, antes de a Netflix desistir do acordo para comprar o estúdio. Crédito: Joe Pugliese |
Zaslav salvou ou afundou a Warner?
Essa é a pergunta que divide Hollywood. Do lado positivo, tem muita coisa:
- A Warner Bros. Pictures tá num baita momento nas bilheterias, com sucessos recentes como "One Battle After Another" e "Sinners" na temporada do Oscar
- A WBD pagou 24 bilhões dos 54 bilhões em dÃvidas que herdou da AT&T
- O HBO Max saiu de um prejuÃzo de 2,1 bilhões em 2022 pra um lucro de 1,4 bilhão em 2025
- A plataforma deve atingir 150 milhões de assinantes globais até o fim do ano
- Tem uma série de Harry Potter de alto nÃvel chegando em dezembro
Geffen defende: "Ele certamente colocou a empresa em uma posição muito mais sólida do que esteve em muito tempo."
Então por que vendeu?
Aqui tá o nó da questão. A venda não foi uma necessidade financeira — a empresa tava crescendo. O plano original de Zaslav era separar os canais de TV a cabo (CNN, TNT, TBS, HGTV, Food Network etc.) do restante da Warner e do HBO Max, deixando a empresa mais enxuta e focada em streaming. Era o mesmo caminho que a NBCUniversal fez com a Versant Media.
Paramount Skydance chief David Ellison Crédito: FilmMagic Mas quando David Ellison começou a fazer propostas agressivas, o tabuleiro mudou. Netflix e Comcast também entraram na disputa, e o conselho da WBD — sob pressão legal de maximizar o valor pras ações — não teve como recusar quando Ellison chegou com US$ 31 por ação em dinheiro vivo em fevereiro. Zaslav, como CEO contratado (sem ações preferenciais nem poder de voto especial), simplesmente não conseguia garantir que as ações chegariam ao mesmo patamar por conta própria. A lei obriga os conselhos de empresas de capital aberto a aceitar o melhor valor pra os acionistas — e foi isso que aconteceu. Como um colega de longa data de Zaslav resumiu:
O que vem por aÃO acordo ainda precisa de aprovação federal e dos acionistas (a votação tá marcada pra 23 de abril). Se tudo correr como planejado, a venda se completa ainda este ano. O que é certo é que Hollywood tá assistindo a mais um capÃtulo de uma história que se repete há décadas: fusões, dÃvidas, cortes de empregos e uns poucos saindo com os bolsos cheios. 🎬💸
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