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Trump manda "cancelar" sua própria série de shows depois de chamar os artistas de "caros demais e de terceira categoria"

A situação do Freedom 250 — a série de shows que Trump fundou para celebrar os 250 anos dos EUA — virou uma bagunça épica, e agora o próprio presidente está mandando cancelar tudo.

Getty Images

 

No sábado à noite, Trump postou no Truth Social: "Deveríamos ter um grande RALLY MAKE AMERICA GREAT AGAIN, pelo 250, em vez de ter cantores caros demais, que ninguém quer ouvir, cuja música é chata, e que só fazem é reclamar."

 

O detalhe interessante: ele não mencionou que a organização responsável por contratar esses artistas foi justamente a Freedom 250 — que ele mesmo fundou. E pelo menos dois dos artistas que ele chamou de "caros" e "de terceira categoria" — Vanilla Ice e Fab Morvan, do Milli Vanilli — tinham dito publicamente que continuavam animados para se apresentar no National Lawn, mesmo depois de outros colegas abandonarem o barco.


Como tudo começou

A série de shows foi anunciada na quarta-feira, e em menos de 48 horas, cinco dos nove artistas confirmados já tinham saído. O motivo? Eles disseram que foram enganados sobre o caráter supostamente apartidário do evento, ou ficaram preocupados com a polêmica em torno da iniciativa.

Os que pularam fora: Morris Day (que disse que sua participação era só um "rumor"), Young MC, The Commodores, Martina McBride e Bret Michaels — que disse que queria participar para promover a conscientização sobre veteranos, mas ficou chateado com o clima "divisivo" que o evento criou.

Os que ficaram: Vanilla Ice e Fab Morvan. O Vanilla Ice foi bem direto: "Eu nem voto, então não ligo. Tocaria pra Putin e no Irã se quisesse. Tanto faz."

Freedom Williams (do C&C Music Factory) estava em cima do muro, e Flo Rida não se pronunciou sobre nada.


Trump como atração principal

 

Antes do post pedindo o cancelamento, Trump já tinha sugerido numa postagem anterior que ele mesmo poderia substituir os artistas — descrevendo a si próprio como "a maior atração do mundo, o homem que consegue plateias maiores que Elvis no auge, sem guitarra" e "o maior presidente da história (O GOAT!)".

Depois disso, a assessora da Freedom 250, Danielle Alvarez, confirmou ao Washington Post: Trump vai pessoalmente abrir as comemorações no dia 24 de junho, numa cerimônia celebrando os 250 anos dos EUA. Segundo o jornal, assessores de Trump estavam "trabalhando rapidamente para transformar a sugestão dele em realidade."


A polêmica maior

O problema é que, se Trump virar a atração principal, isso confirma exatamente o que os artistas que saíram estavam temendo: que o evento, apesar de se apresentar como apartidário, na prática é mais uma extensão do movimento MAGA.

A Freedom 250 é uma organização sem fins lucrativos criada por Trump como uma alternativa ao America 250, iniciativa do Congresso para o mesmo tipo de celebração. Parlamentares democratas e outros críticos já apontavam isso como suspeito. Um rally de oração recente no National Mall sob a bandeira da Freedom 250 foi criticado por parecer mais um evento MAGA do que algo verdadeiramente bipartidário.

Para completar o cenário, Richard Grenell — ex-chefe do Kennedy Center indicado por Trump — foi ao Twitter atacar a cantora country Martina McBride por sair do evento, chamando-a de "esquerdista woke de sempre".


E o Kennedy Center no meio disso tudo

No mesmo post em que pediu o cancelamento dos shows, Trump aproveitou pra atacar o juiz federal que bloqueou seu envolvimento com o Kennedy Center, chamando-o de "corrupto" e pedindo seu impeachment. Segundo ele, sem sua intervenção, o Kennedy Center vai "entrar em colapso estrutural e financeiro."


No fim das contas, o que era pra ser uma grande festa de aniversário do país virou um dos dramas mais bizarros de Washington em tempos recentes. E com Trump como headliner do próprio evento que ele quase mandou cancelar, a festa promete ser... interessante. 🎤🇺🇸


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